A vida é feita de escolhas.
Escolhemos que roupa usar e saímos para a rua, e aqueles que se preocupam com
isso, outras pessoas iram olhar e tirar as suas conclusões. Escolhemos caminhos
a serem seguidos, escolhemos puxar o saco do politico para ter sempre um cargo comissionado
renovado a cada quatro anos, ou escolhemos estudar e ser aprovado em um
concurso para passar o resto da vida à custa do estado, ou optamos por sermos
bons profissionais eternamente avido por conhecimento. São caminhos, escolhas,
que favorecem um lado e desfavorece outro, uma coisa boa exige um sacrifício, e
uma coisa ruim leva a um sacrifício ainda maior. Não escolhemos a quem amamos,
mas escolhemos viver ao lado de uma pessoa esperando que o amor chegue como
antes e isso demora talvez a vida toda. Escolhemos sempre nossos objetivos “racionais”
em primeiro lugar, passar no vestibular e a isso nos negamos novos amores e
pessoas a fim de compartilhar emoções com você, para ser aprovado na OAB então
mudamos nossos hábitos, negamos a ir de encontro ao novo amor, ao novo lar, ao
novo, nos negamos ao novo! E é nessa neofobia que prevalecem nossos medos,
nossas angustias, nossas carências, nossas doenças que se acumulam e vão sempre
aos poucos nos matando. É sempre difícil saber qual caminho seguir, pois somos ainda
seres muitos poucos evoluídos e não sabemos o sentido da vida, é como uma
salamandra rastejando num desfiladeiro sem conseguir enxergar a frente o futuro
que lhes guarda. Não podemos nos lamentar embora seja isso façamos quando
queremos ainda voltar naquela bifurcação a qual ingressamos na tomada errada.
Brigas, amores partidos, devaneios, a camisinha que faltou, o ônibus que atrasou
o portão que fechou o carro que enguiçou o amor que não foi o amor que não
veio, o amor que não virá, sempre terá algo para nos queixarmos e achar que
tudo poderia ser feito diferente mesmo que saibamos que foi nós mesmos que
erramos por todo esse tempo ou por só naquele momento, naquela fração de
segundo onde devemos decidir e decidimos errados, mas decidimos, e agora o
pranto varre os olhos para aqueles que tomam uma escolha neste misero espaço de
tempo. Talvez não seja justo que por tão pouco tempo que temos para escolhermos
certos caminhos isso nos reflita para toda a vida, uma desproporcionalidade da
vida. Mas mesmo que seja assim tão complexo, tão tumultuado, tão infantil, tão
cheio de nuances que nunca sabemos os caminhos certos, sempre devemos agradecer
pelo dom da escolha, o livre arbítrio. Por mais que erramos em qualquer
aspecto, e depois disso nos arrependemos de verdade, mas de verdade mesmo
estaremos assim de bem com aquilo que há de mais precioso em tudo nessa vida, a
paz.
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