terça-feira, 1 de junho de 2021

Parece cocaína

      Parece cocaína, mas é só tristeza já dizia o poeta, hoje ainda coloco mais um adendo, é só tristeza e cólera. Acostumamos a odiar quase que como um hábito corriqueiro da atualidade, os dentes rangem as pupilas dilatam os esfíncteres se contraem e o sangue corre mais rapidamente com o palpitar do coração acelerado e raivoso. Talvez isso altere o estado dos hormônios e com isso alteram a consciência das pessoas e consequente e obviamente o comportamento dos pobres humanos adamitas. E ai de não usar a sua dose diária de cólera para ver o que acontece seja ódio ou apenas tristeza a dose diária ou ainda em casos mais críticos a dose horária, aí depende do grau de entorpecimento que a criatura possui. E como um cocainômano há repercussões negativas em relação aos hábitos, o triste e colérico também sofre com o reboque de suas atitudes, a luz da psiquiatria que hoje enche os consultórios médicos de terapeutas, os coléricos se drogam com clonazepam e semelhante para que o seu convívio seja menos degradante, menos pior e minimamente aceitável. O sonho quimérico de uma vida perfeitamente igual ao falso ideal da televisão ao ideal das campanhas de propagandas frustra a população fraca de pensamentos, de modo que aquilo que elas veem não existe se não na ficção ali longe bem longe das mãos dessa pessoa infeliz, a cólera surge depois desses momentos em que a pessoa se vê falida e frágil pela aquela vida que não tem que só vê na novela, na série, no mundo platônico da vida mental da pessoa infeliz. A frustração dessa vida que demora ou ainda nunca vem pode ser uma das causas da cólera que aflige a cabeça dessa pessoa. Certa vez em um muro qualquer da cidade em que moro me deparei com um pichação reflexiva dizendo: mais livros e menos televisão, um antídoto para a reconstrução dessas mazelas que nos assolam. E porquê isso não acontece? Simplesmente pela questão da lei do menor esforço, é muito trabalhoso ler um livro, um trabalho mental acima da média atual sim da para se falar isso sem medo, hoje ninguém mais lê livros que nos façam pensar na vida no máximo a pessoa vê um livro interessante na estante da livraria e logo o pensamento vem: Vou esperar a série para ver essa história. E se essa série demora a sair na streaming preferida logo acaba o desejo por aquela história a principio interessante e instigante mas agora maçante e enfadonha pois só resto o livro para ela ler. Essa acídia popularmente disseminada profundamente pode ser uma das causas dessa situação de cólera e tristeza que viciam das criaturas pobres de interiorização

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