Escrever
talvez seja algo que nunca irei conseguir fazer do jeito que penso que poderia
fazer. Uma habilidade digna para poucos, para aqueles que dominam suas emoções e
conduzem para um pagina seguinte em branco e tudo ganha forma, cor e vida. Como
canalizar as cataratas do Iguaçu e transforma-las em uma simples torneira
limpa, calma, e translucida.
Não
penso nem de longe ser algo próximo daqueles que admiro quando estou lendo. Um miserável
e imbecil atrás da folha em branco, é o que eu sou. Imbecil no sentido
rodriguiano de concepção, sempre temendo pelo ridículo.
Mas
sinto um alivio ao fim de qualquer merda que saia pelos meus dedos, não sei
como explicar isso, mas é o que sinto, ainda mais sabendo que nunca alguém que
eu conheça vai ler isso, ou alguém que saiba quem eu sou. Pelo menos por
enquanto.
Poderia
fazer isso pelo resto da minha vida com garantia que ninguém leia enquanto eu
viver seria ótimo, talvez a certeza do anonimato seja alguma espécie de reconhecimento
às avessas que abone o alivio da minha mente expurgando pelos meus dedos assim
como o alivio de meus intestinos quando sai por onde todo mundo sabe e faz
igual.
Pronto
200 palavras como na primeira vez me limito na minha própria ignorância, e que
agora já são 220.
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